quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Lacônicos


dema

Dois pacotes de vida:
ela e eu,
─ o mundo em redor ─
nó(s).
Um afago...
o beijo...
a cama...
fogo...
encaixe...
almas em laço.
Pronto.
O amanhã em aberto,
talvez curto.
Pausa...
Desperto.


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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Refém


dema


Entreguei meu coração de graça,
não ganhei, contudo, o de ninguém.
Meu destino fez-se então vidraça,
tornei-me, do desamor, refém.

Jamais odiei os que se amam,
porém, deles, juro, inveja  tenho.
Minh’alma pena, sempre reclama,
leva, alquebrada, pesado lenho.

Maldigo a vida com sofrimento,
ausente amor, por que restar vivo?
Fosse ela apenas simples momento,
nenhum partir seria preciso.

Detritos, penas, o que restou
dos belos sonhos com arribaçãs
que se perderam, por certo, em voos,
embevecidas d’outras manhãs.

Deixaram-me só com a minha sorte,
tendo o infinito por ameaça.
Pra meu consolo, entrevejo a morte,
com boas vindas, virando a taça.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Noturno


dema

O silêncio da madrugada
torna reais os sonhos macabros,
horripilante meu acordar.

Então, não sei se é tudo verdade
ou se fictas são as cenas que passam.

Respiro ofegante, o coração salta.
Estou vivo me vendo morto.
Pessoas choram, outras chacoteiam.
A conversa é alta, tomam cachaça.
De mim mesmo rio, pois é de graça.

Virando a página, sou eu, menino,
rodopiando a cascavel:
guizo vibrante, língua espichada,
olhos graúdos, corcoveando,
quer me picar.
Giro-a com força, a lançá-la longe.
Eu, com medo, quero acordar.

Agora o tiro me vaza o peito.
Bala perdida, sangue vermelho.
Quanto sangue, claro, desmaio.
Por certo é assim que irei morrer:
se desmaiado, não me levanto,
não choro ou grito, quem vai saber?

A madrugada, devagarinho,
tal qual o sol que se opõe raiar.
Estou suado, apavorado.
Para que dormir?
Melhor acordado.




Em demasilva

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Memory


dema

(Sometimes love rescues you from the past,
turn my guts
and shakes the melancholy of the dark days.)


You do not die
here inside my heart
You remain alive, as you have always been,
only shrouded by the veil of time,
whose flaps, time to time,
sneakily,
I lift one
to see you smiling and jovial.

I refuse to discard intact and beautiful agendas
which, because not used,
became obsolete.



Memória


dema

(Ás vezes o amor resgata-a do passado,
revolve minhas entranhas
e sacode a melancolia dos dias sombrios.)


Você não morre
aqui dentro do meu coração
Permanece viva, como sempre esteve,
apenas envolta pelo véu do tempo,
de cujas abas, de quando em quando,
sorrateiramente,
levanto uma,
para revê-la jovial e sorridente.

Recuso-me a descartar agendas intactas e belas
que, por não utilizadas,
tornaram-se obsoletas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Entrevista - Natal 2017 - Rádio Universitária FM

Entrevista no Programa Trocando em Miúdos, Ponto de leitura, da Rádio Universitária FM - natal de 2017 - Apresentação: Ivone Gomes de Assis.

Para acessar, clicar na foto abaixo.



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Um jeito menos complicado


dema


Preciso descobrir um jeito menos complicado
de fazer poema,
que me permita extravasar as mágoas
(não perdidas no tempo nem lavadas nas corridas águas),
descrever a tristeza e chorar a dor;
simultaneamente, espargir alegria
e, sem pecado,
com minha pena,
cantar a beleza, glorificar o amor
e produzir poesia.

Quero urgentemente
desprender-me dos grilhões que encarceram o estro
 e, simplesmente,
ao imaginário som de carrilhões, libertar minh’alma condoreira,
para levar, a cada coração,
em palavras regidas à batuta de um maestro,
a fascinação verdadeira
a que o belo conduz pela emoção.

Ah, se eu tivesse o primor dos grandes mestres,
e conhecesse a magia
de criar encantamento pelos versos,
possivelmente um fingidor mais que terrestre,
juro, eu tocaria
até o coração dos assassinos mais perversos.
Qual essência poderosa, bem sutil,
carcomeria a raiz da maldade planejada
para tornar menos sombrio
o horizonte cinza de quem já não espera nada.


http://www.demasilva.com.br/PINEDITOS/UM_JEITO_MENOS_COMPLICADO.html